sábado, 11 de agosto de 2012

Batman - Arkham Asylum

 
O primeiro título do Batman para a nova geração de video games prova que os jogos de herói têm, sim, salvação. E aponta o rumo correto: um enredo com fôlego de um bom quadrinho. Afinal, não é à toa que o mito do homem-morcego se consolidou nesse formato; portanto, é uma saída válida apegar-se a ele numa transposição para o mundo dos jogos. Por isso foi certeira e decisiva a escolha de um cartunista, Paul Dini, para a elaboração do enredo, que não é adaptação de filme ou HQ, mas sim uma história do Batman pensada para ser jogada. Ou seja, é uma mistura de quadrinhos e jogo, sem desrespeito a nenhuma das formas. É assim que o jogo ganha uma dinâmica adequada, aliada a uma história de tirar o fôlego, na qual o herói sempre avança, sem jamais, entretanto, penetrar nas intenções finais do Coringa.
 
O grande vilão, como era de se esperar dele, rouba a cena, juntamente com alguns dos vilões: o Crocodilo é sombrio e assustador, o Espantalho muda as dinâmicas de jogo radicalmente ao arremessar Batman no mundo do medo. O palhaço é cruel, irônico e muito bem desenhado.
 
Não que o homem-morcego fique para trás: dentro de suas possibilidades, seu comportamento é bem envolvente, aproximando-o do jogador.
 
Para ajudar o jogador a se envolver na trama, os comandos são bastante simples e rapidamente assimiláveis. O jogador entrega-se à experiência e vive um dia de cavaleiro das trevas. Os gráficos são ótimos e dão um bom tom ao cenário. Quanto ao tom, entretanto, cabe não confundir o jogo com a HQ de mesmo nome, de autoria de Grant Morrison e Dave McKean. Enquanto o quadrinho tomou rumos bem sombrios, com traços expressionistas que deixam o clima de loucura aflorar pelo desenho, pelos personagens (inclusive por Batman, que tem medo de não sair do asilo) e pelo enredo, criando uma experiência única até para os padrões costumeiramente sombrios do herói em questão, o jogo trata o asilo apenas como um espaço pequeno, cheio de armadilhas, mas sem terror psicológico detectável (excetuando, é claro, os momentos protagonizados pelo Espantalho).
 
A princípio, essa diferença de tom não é motivo para críticas ou, pelo menos, para críticas pesadas. Batman – Arkham Asylum representa um ganho muito grande para a integração dos quadrinhos e dos jogos. Seu caráter de tentativa segura é, inclusive, perceptível em alguns elementos: o espaço é pequeno, favorecendo a unidade dramática, e o final tem um caráter cinemático demais, em detrimento de certa grandiosidade possível para a batalha, negligenciada, infelizmente.
 
Concedendo um bom julgamento ao tom e às propostas juvenis do jogo, a aventura principal pode ser vista como é, ou seja, como uma diversão das boas. Diverte e empolga genuinamente, o que não é pouco para um jogo de herói. Ao final, resta ainda desvendar os enigmas do Charada e vencer os desafios de combate do jogo, o que lhe estende a vida útil, mas não acrescenta muito à experiência, chegando até ao inverossímil: se o plano do Coringa era secreto, como Charada poderia plantar dezenas de enigmas na casa? Uma pequena fraqueza, entretanto, num jogo muito bem construído.

Nenhum comentário:

Postar um comentário