Todo
o exposto acima aponta para a maior característica do jogo na sua relação com
seu antecessor: Arkham City propõe-se
uma versão maior, mais madura e épica de Arkham
Asylum. A maturidade, entretanto, não se realiza como deveria. Pelo
contrário: o enredo de pequeno alcance, apropriado para o primeiro jogo do
Batman, seja pelas dimensões maiores do novo jogo, que envolve toda uma cidade,
seja pelo esperado abandono do enredo seguro proposto no primeiro jogo da
série, fica extremamente inadequado.
A falta de harmonia entre a proposta mais voltada para o mundo real e o enredo
próprio a pequenas dimensões resulta num dos maiores problemas das tramas mais
voltadas a adultos nos jogos contemporâneos: o conspiracionismo.
Chega
a ser trágico o quanto se perdeu na proposta de construir uma prisão a céu
aberto no meio da cidade, isolando os bandidos, perfeitamente verossímil no
mundo de hoje, onde a legalidade e a ilegalidade convivem e lutam
incessantemente nos espaços das próprias cidades. Nas mãos do Frank Miller dos
anos 80, autor do célebre Cavaleiro das
Trevas, o motivo certamente renderia uma bela reflexão sobre o mundo atual
e o papel dos heróis na cultura.
Arkham City dá,
no lugar disso, uma trama infantilizada, com uma conspiração, ou seja, como se
as vontades de poucos determinassem realmente tendências desse porte. A
infelicidade é mais retumbante quando se pensa no HQ feito como interlúdio
entre os dois jogos: lá estão presentes temas como a manipulação política e a
figura frágil dos líderes. Ou seja, Arkham
City é uma falha terrível, trágica em termos de execução de proposta. Um
gigante com cabeça de bebê.
Não
fosse esse erro grave, o jogo seria simplesmente fenomenal, um acontecimento na
história do mundo dos video games. O
final emocionante, em que o apego a um personagem interessante como o Coringa –
ápice de uma grande honra feita aos vilões da série durante todo o jogo – cria
uma sensação profunda e marcante em qualquer jogador, mostra quanto fôlego
poderia ter sido acoplado ao jogo, visto que a trama do palhaço vilão é
bastante desvinculada da outra, de caráter mais amplo. Como um bom romance, Arkham City poderia integrar uma trama
entre sujeitos bem elaborados com problemas do mundo em que vivem.
Infelizmente, não foi isso que aconteceu: a solidificação da maturidade nos video games ainda está por ser debatida
e realizada para além de manifestações incrivelmente isoladas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário